Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre abelhas-nativas-sem-ferrão e meliponicultura

As respostas desta página foram elaboradas a partir das perguntas frequentes sobre meliponicultura recebidas pela AMe-DF e de referências técnicas, entre elas a publicação Meliponicultura — 500 Perguntas, 500 Respostas, da Embrapa (2024), com adaptações e informações específicas para a realidade do Distrito Federal.

Conhecendo as abelhas-nativas-sem-ferrão

1. O que são abelhas-nativas-sem-ferrão?

São abelhas sociais da tribo Meliponini que possuem o ferrão atrofiado e, por isso, não ferroam como as abelhas do gênero Apis. São nativas das regiões tropicais e subtropicais e apresentam grande diversidade de espécies.

É a atividade de criação de abelhas-nativas-sem-ferrão. Pode ter diferentes finalidades, como conservação, lazer, educação ambiental, pesquisa, produção de mel e outros produtos, polinização e geração de renda.

No uso corrente no Brasil, meliponicultura é a criação de abelhas-nativas-sem-ferrão, enquanto apicultura normalmente se refere à criação de Apis mellifera, a abelha com ferrão utilizada na apicultura convencional.

Elas possuem o ferrão atrofiado e não conseguem utilizá-lo para ferroar. Isso não significa, porém, que sejam indefesas. Dependendo da espécie, podem morder, enrolar-se em cabelos e pelos, depositar resinas ou liberar substâncias irritantes como mecanismos de defesa.

Depende da espécie. Muitas utilizam cavidades preexistentes, como ocos de árvores, frestas de rochas, cavidades no solo e cupinzeiros ou formigueiros. Também podem ocupar estruturas construídas pelas pessoas, como muros e paredes. Algumas espécies constroem ninhos externos, sem depender de cavidades.

Não. A maioria das espécies de abelhas é solitária. As abelhas-nativas-sem-ferrão, por outro lado, são eussociais: vivem em colônias organizadas, com rainha e operárias, sobreposição de gerações, divisão de trabalho e cuidado cooperativo com as crias.

Uma colônia pode ser perene. As abelhas individualmente nascem, envelhecem e morrem, mas são continuamente substituídas. Em condições favoráveis, há registros de colônias de abelhas-nativas-sem-ferrão que permaneceram por mais de 20 anos.

O Distrito Federal abriga diversas espécies de abelhas-nativas-sem-ferrão. A AMe-DF mantém uma compilação dos registros conhecidos, elaborada a partir de informações da Coleção Entomológica da Universidade de Brasília (DZUB), do Laboratório de Abelhas da UnB (UnBeeLab), de bases de dados científicas e de outras fontes.

Começando a criar

9. Posso criar abelhas-nativas-sem-ferrão em casa?

Sim. Um meliponário não precisa estar necessariamente em uma propriedade rural. Dependendo das espécies, do número de colônias e das condições do local, as abelhas-nativas-sem-ferrão podem ser criadas inclusive em jardins, quintais e varandas. O local deve oferecer condições adequadas às colônias e não causar problemas às pessoas ao redor.

A escolha deve considerar principalmente a ocorrência natural da espécie na região, suas características, as condições ambientais disponíveis e o objetivo da criação. Algumas espécies são mais defensivas ou possuem necessidades específicas, enquanto outras se adaptam melhor a ambientes urbanizados.

No Distrito Federal, é importante também verificar quais espécies podem ser legalmente mantidas.

Preferencialmente em local sombreado, ventilado e protegido da incidência direta do sol, de ventos fortes e da chuva, com disponibilidade de água limpa e vegetação que forneça alimento às abelhas. Também devem ser evitados locais que possam favorecer a contaminação das colônias e de seus produtos.

A proteção contra o calor e a baixa umidade durante a estação seca merece atenção especial no Distrito Federal.

Não existe uma única caixa adequada para todas as situações. A escolha deve considerar a espécie, o tamanho da colônia, o clima e a finalidade da criação. Caixas modulares facilitam diversos manejos porque permitem ajustar o espaço ocupado pela colônia e separar diferentes partes do ninho.

Mais importante que adotar determinado modelo é que a caixa proporcione condições adequadas de isolamento térmico, ventilação e controle da umidade, sem materiais ou odores prejudiciais às abelhas.

As colônias devem ter origem legal e conhecida. Elas podem ser obtidas por meios previstos na legislação, como aquisição de criadores regularizados e, nas condições permitidas, pela captura de enxames por meio de recipientes-isca (ou ninhos-isca).

A retirada indiscriminada de ninhos da natureza não é uma forma adequada de iniciar uma criação.

São recipientes preparados para oferecer às abelhas uma cavidade adequada à instalação espontânea de uma nova colônia durante o processo natural de enxameação. Não se trata de retirar uma colônia já estabelecida da natureza: são as próprias abelhas que escolhem e ocupam o recipiente.

Os recipientes-isca podem ser instalados de diferentes formas, inclusive enterrados para espécies que nidificam no solo. Sua eficácia depende da espécie, das características do recipiente, do local e da forma de instalação, além das condições ambientais e da disponibilidade de colônias em processo de enxameação.

A melhor época está relacionada ao período de reprodução das colônias e à disponibilidade de recursos florais, portanto varia conforme a região e as condições ambientais. O ideal é que os ninhos-isca estejam instalados antes do período de maior atividade reprodutiva.

Em local sombreado e protegido de sol direto, chuvas e ventos fortes. Os recipientes podem ser instalados em ambientes urbanos ou rurais, em árvores ou estruturas construídas, desde que ofereçam condições adequadas para a ocupação pelas abelhas.

Não necessariamente, mas a disponibilidade de recursos florais no entorno é fundamental. As abelhas precisam encontrar néctar, pólen, resinas e outros recursos ao longo do ano. Por isso, conservar a vegetação existente e ampliar a diversidade de plantas úteis às abelhas contribui para a manutenção das colônias.

Sim, é importante que exista uma fonte de água limpa acessível. Além das funções metabólicas, a água pode ser utilizada pelas abelhas na regulação da temperatura da colônia em períodos de calor.

Manejo das colônias

19. Com que frequência devo abrir as caixas?

Não existe uma frequência única adequada a todas as situações. As inspeções devem ter um objetivo definido e considerar a espécie, a época do ano e as condições da colônia. Aberturas desnecessárias ou muito frequentes provocam perturbação, alteram as condições internas do ninho e podem favorecer problemas.

A avaliação deve considerar um conjunto de sinais, e não apenas a quantidade de abelhas observada na entrada. População, atividade de voo, quantidade e condição das crias, reservas de alimento e capacidade de ocupação e defesa do ninho ajudam a indicar o estado da colônia. Também é importante considerar a espécie e a época do ano, pois a população pode variar naturalmente.

Nem sempre. A alimentação complementar pode ser útil em situações de escassez de recursos, formação ou recuperação de colônias e determinados manejos, mas não deve substituir a disponibilidade de recursos naturais no ambiente. Quando necessária, deve ser fornecida com higiene e em quantidade adequada, evitando fermentação, contaminação e atração de organismos indesejáveis.

Sim, mas a mudança exige cuidados. As operárias utilizam referências do ambiente para localizar a entrada do ninho e podem retornar ao local anterior quando uma caixa é simplesmente deslocada. A distância, a espécie e a forma como a mudança é realizada precisam ser consideradas.

É uma técnica de manejo destinada à formação de uma nova colônia a partir de uma ou mais colônias já estabelecidas. Dependendo da espécie e da técnica utilizada, podem ser empregados crias, alimento, estruturas do ninho e/ou indivíduos das colônias de origem.

A multiplicação deve ser realizada somente com colônias em condições adequadas e com conhecimento da biologia da espécie, pois uma divisão mal conduzida pode comprometer tanto a nova colônia quanto aquela que forneceu os materiais.

Não. Antes da multiplicação devem ser avaliados fatores como população, quantidade e estágio das crias, reservas de alimento, condição sanitária e época do ano. Colônias fracas ou em condições desfavoráveis não devem ser submetidas ao manejo apenas porque se deseja aumentar rapidamente o número de caixas.

O abandono completo do ninho é incomum nas abelhas-nativas-sem-ferrão. Em muitas espécies, depois de fecundada e em postura, a rainha torna-se fisogástrica e perde a capacidade de voo, o que impede que a colônia simplesmente migre para outro local como pode ocorrer com Apis mellifera.

Diante de condições muito desfavoráveis ou de perturbações severas, pode ocorrer redução ou perda da população, saída de operárias ou mesmo o colapso da colônia. Há registros de abandono completo em algumas espécies de ANSF, mas são situações excepcionais e não devem ser tratadas como comportamento geral do grupo.

Ameaças, pragas e sanidade

26. Quais são as principais ameaças às abelhas-nativas-sem-ferrão?

As abelhas podem ser afetadas por diferentes fatores que atuam isoladamente ou em conjunto, como perda e alteração dos habitats naturais, redução dos recursos alimentares e locais de nidificação, agrotóxicos, pragas e doenças, manejo inadequado, poluição, introdução de espécies fora de sua área de ocorrência e mudanças climáticas.

Sim. A exposição pode provocar mortalidade, mas os efeitos não se limitam à morte imediata das abelhas. Dependendo da substância, da dose e da forma de exposição, podem ocorrer efeitos sobre o comportamento, orientação, alimentação, reprodução e outras funções importantes para a sobrevivência da colônia.

Entre as pragas encontradas nos meliponários estão forídeos, moscas, ácaros, formigas e outras abelhas. Sua ocorrência e importância variam conforme a espécie criada, as condições da colônia, o ambiente e o manejo.

Nem todo inseto ou microrganismo encontrado no interior de uma colônia representa uma ameaça. Muitos fazem parte das relações naturais existentes no ninho, algumas delas ainda pouco conhecidas.

Forídeos são pequenas moscas que podem se reproduzir no interior das colônias, especialmente quando encontram saburá (pólen armazenado pelas abelhas) exposto, cria danificada e outros materiais orgânicos.

Infestações intensas podem comprometer seriamente uma colônia.

O risco costuma aumentar em colônias enfraquecidas ou depois de manejos que deixam alimento ou cria expostos, como transferências e multiplicações mal conduzidas.

Boas práticas de manejo são fundamentais: manter colônias fortes, caixas em boas condições, meliponário limpo, ferramentas higienizadas e alimentação complementar preparada e armazenada adequadamente, além de evitar transferir materiais entre colônias sem os cuidados necessários.

A movimentação de colônias também merece atenção, pois pode contribuir para a disseminação de parasitas e agentes patogênicos entre meliponários e populações de abelhas.

Uma mortalidade elevada, repentina ou sem causa conhecida não deve ser tratada apenas como um problema de manejo. É importante preservar as informações sobre o ocorrido e comunicar a suspeita ao Serviço Veterinário Oficial, para que a situação possa ser avaliada e, quando necessário, investigada.

Para informações sobre notificação de suspeitas, investigação, cadastro sanitário e outros aspectos da defesa sanitária, consulte o conteúdo específico no Portal do Conhecimento.

Sim. Alterações na temperatura e no regime de chuvas, eventos extremos e mudanças nos períodos de floração podem modificar a disponibilidade de alimento e as condições do ambiente onde as colônias vivem. Os efeitos podem variar entre espécies e regiões.

Meliprodutos

33. Quais produtos podem ser obtidos das abelhas-nativas-sem-ferrão?

As colônias produzem ou armazenam diferentes materiais que podem ser aproveitados pelo ser humano, entre eles mel, saburá, própolis, geoprópolis, cera e cerume, dependendo da espécie de abelha. Esses produtos apresentam características próprias e seu aproveitamento deve respeitar as condições de higiene, conservação e a legislação aplicável.

O mel das ANSF apresenta grande diversidade de sabores, aromas, cores, acidez e consistência. Suas características variam conforme a espécie de abelha, as fontes florais utilizadas e as condições ambientais.

Em geral, apresenta maior teor de água que o mel de Apis mellifera, característica que exige cuidados especiais na colheita, no processamento e na conservação.

O mel contém naturalmente microrganismos, como leveduras. Como os méis das ANSF geralmente apresentam maior teor de água, oferecem condições mais favoráveis à atividade desses microrganismos e, consequentemente, à fermentação.

Temperatura, higiene durante a colheita e o envase e condições inadequadas de armazenamento também podem favorecer ou acelerar esse processo.

O mel in natura, quando não submetido a algum processo de conservação, geralmente requer refrigeração para reduzir o desenvolvimento de microrganismos e preservar suas características.

Existem diferentes formas de processamento e conservação, como refrigeração, desidratação, maturação e tratamentos térmicos. A escolha do método depende das características do produto e da finalidade pretendida.

Saburá (ou samburá) é o nome tradicionalmente utilizado para o pólen coletado pelas abelhas e armazenado nos potes da colônia. Durante o armazenamento, esse material passa por transformações e constitui uma importante reserva alimentar, principalmente como fonte de proteínas para as abelhas.

A própolis é produzida principalmente a partir de resinas vegetais coletadas e processadas pelas abelhas. Algumas espécies misturam esse material com terra ou barro, formando a geoprópolis.

O cerume é constituído principalmente pela mistura de cera produzida pelas próprias abelhas com resinas vegetais e é amplamente utilizado na construção das estruturas do ninho, como potes de alimento e invólucros.

Sim, mas a colheita deve ser realizada com higiene e técnicas adequadas, evitando a contaminação do produto e danos desnecessários às estruturas da colônia. O mel que escorre pelo interior da caixa ou entra em contato com áreas de resíduos não deve ser aproveitado para consumo. Quando destinado à comercialização, sua extração, processamento, conservação e envase também devem atender às exigências sanitárias aplicáveis.

Sim, desde que sejam atendidas as exigências sanitárias e de inspeção aplicáveis à produção e à comercialização de produtos de origem animal. As condições podem variar conforme a forma de produção, processamento e comercialização.

No Distrito Federal, a inspeção de produtos de origem animal envolve a DIPOVA, da SEAGRI-DF.

Legislação e regularização no DF

41. Preciso de autorização para criar abelhas-nativas-sem-ferrão no Distrito Federal?

Para a criação sem exploração econômica de até 49 colônias, não é exigida a autorização ambiental para uso e manejo prevista na Resolução CONAMA nº 496/2020.

A dispensa não afasta outras exigências eventualmente aplicáveis, relacionadas, por exemplo, à origem das colônias, às espécies mantidas, à defesa sanitária, ao transporte ou a outras atividades específicas.

No Distrito Federal, a Lei nº 7.311/2023 também disciplina a meliponicultura, mas ainda há procedimentos que dependem de regulamentação ou implementação administrativa.

Não. Como regra geral, a criação de abelhas-nativas-sem-ferrão deve respeitar a área de ocorrência natural das espécies. A Resolução CONAMA nº 496/2020 restringe a criação à região geográfica de ocorrência natural indicada no Catálogo Nacional de Abelhas-Nativas-Sem-Ferrão (Portaria 665/2023), admitindo exceção mediante autorização do órgão ambiental competente e análise de risco.

No Distrito Federal, a Lei nº 7.311/2023 estabelece regras próprias sobre as espécies que podem ser mantidas e considera exóticas, para os efeitos da Lei, espécies não relacionadas em seu Anexo Único cujo habitat natural esteja fora dos limites do DF.

A introdução de abelhas de outras regiões deve ser evitada não apenas pelas restrições legais, mas também pelos riscos ambientais e sanitários. A movimentação de colônias para fora de sua área de ocorrência natural pode prejudicar as populações locais e também favorecer a introdução e disseminação de parasitas e agentes patogênicos.

Por isso, não se deve trazer para o Distrito Federal uma espécie apenas porque ela é criada ou comercializada legalmente em outra região do Brasil.

Não livremente. As colônias silvestres são protegidas e sua retirada está sujeita às condições estabelecidas pela legislação. Situações de risco, queda ou supressão de árvores, obras e outras circunstâncias que possam exigir resgate devem observar os procedimentos definidos pelo órgão ambiental competente. Sempre que possível, a conservação da colônia em seu local natural deve ser priorizada.

A captura de colônias por meio de ninhos-isca ou recipientes-isca está expressamente prevista na Lei Distrital nº 7.311/2023. Isso é diferente da retirada de uma colônia já estabelecida na natureza: no ninho-isca, são as próprias abelhas que ocupam voluntariamente o recipiente durante o processo de formação de uma nova colônia.

O transporte envolve exigências ambientais e sanitárias, que não devem ser confundidas. Dependendo da situação, podem ser necessários cadastro sanitário, Guia de Trânsito Animal (GTA) e procedimentos ambientais.

Como as regras distritais relacionadas ao transporte estão entre os pontos que vêm sendo revistos, consulte as orientações atualizadas da SEAGRI-DF e do IBRAM antes de transportar colônias.

A comercialização é possível quando atendidas as condições legais relativas à origem das colônias, espécies envolvidas, regularidade do criadouro e demais exigências aplicáveis. A Lei Distrital nº 7.311/2023 prevê a comercialização de colônias provenientes de multiplicação ou de captura por ninhos-isca, observadas as demais exigências legais. Colônias provenientes diretamente de resgate ou remoção não podem ser comercializadas.

As competências são divididas. O IBRAM atua nos aspectos ambientais relacionados à fauna silvestre; a SEAGRI-DF, na defesa sanitária animal e no trânsito sanitário; e a DIPOVA, integrante da SEAGRI-DF, atua na inspeção dos produtos de origem animal.

Dependendo da atividade, também podem incidir normas e competências federais.

A AMe-DF mantém uma página específica que reúne as principais normas e apresenta orientações sobre criação, espécies, resgate, transporte, sanidade, comercialização e as atribuições dos diferentes órgãos.

As informações têm caráter informativo e não substituem a legislação vigente nem as orientações dos órgãos competentes. Antes de realizar atividades sujeitas a cadastro, autorização ou outros procedimentos, consulte os órgãos responsáveis para confirmar as exigências e os procedimentos vigentes.

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